sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Exílio das crianças de Andalus no Nordeste Brasileiro

Hégira Al-Andaluz NE Setentrional do Brazil


Exílio das crianças de Andalus no Nordeste


"Im memoriam" dos reshaim, meshumadim, anusim, renegados (conversos) e cripto-karaós imigrantes forçados de gharb al-ʼandalus - غرب الأندلس que foram exilados para Nordeste Setentrional do Brasil, e também suas gerações (depois destes) nesta terra d’além Mar.

Garbe Alandalus, em árabe: غرب الأندلس; transliterado.: gharb al-ʼandalus, era a parte mais ocidental do Alandalus, que corresponde a parte do actual território português. Em 711, as tropas muçulmanas atravessaram o estreito de Gibraltar e deram início à conquista da Península Ibérica, o Alandalus; ao domínio muçulmano escapou somente uma pequena comunidade cristã, que se refugiou nas Astúrias.

O ocidente peninsular de influência mediterrânica, o Algarbe Al andalus — corresponde aproximadamente aos limites da antiga Lusitânia — embora intensamente islamizado, não assumiu o protagonismo de outras regiões do Alandalus, resistindo sempre aos processos de centralização de Córdova, ou posteriormente de Sevilha.

O Garbe incluía cinco territórios principais correspondentes ao termo de Coimbra, ao estuário do Tejo, ao Alto Alentejo, ao Baixo Alentejo e ao Algarve. Estes territórios estendiam-se ainda para as atuais Estremadura espanhola e Andaluzia Ocidental. Destacavam-se as cidades de Coimbra, Lisboa, Santarém, Silves, Mértola, Faro, Mérida e Badajoz.

Al-Ândalus em árabe: الأندلس; foi o nome dado à Península Ibérica (com a Septimânia) no século VIII, a partir do domínio do Califado Omíada, tendo o nome sido utilizado para se referir à Península independentemente do território politicamente controlado pelas forças islâmicas. Contudo, hoje utiliza-se o termo para referir os territórios que se diferenciam dos reinos cristãos.

Al-Andalus foi o único território europeu continental a participar na Idade de Ouro Islâmica, passando por vários períodos políticos. Era inicialmente um emirado integrado na província norte-africana do Califado Omíada, tendo sido também Califado de Córdova, diversas Taifas, província Almorávida, Califado Almóada e na sua última fase Reino Nasrida de Granada.

A região ocidental da Península era denominada Gharb al-Andalus ("o ocidente do al-Andalus") e incluía o atual território português. De uma maneira geral, o Gharb al-Andalus foi uma região periférica em relação à vida econômica, social e cultural de Córdova e Granada.

No Nordeste setentrional, estavam durante a conquista e estadia dos holandeses marranos, anusim, judeus velhos, conversos, cripto judeus desterrados, por medo da famigerada inquisição ou por usura mesmo. Quando os cristãos portugueses retomaram o poder e enquanto a maioria dos que não puderam fugir foram assassinados, alguns que escaparam das matanças ficaram no Brasil seguiram a praticar o judaísmo em secreto como criptojudeus.

Estas comunidades de cristãos-novos refugiaram-se nos sertões, interior do Nordeste Setentrional Brasileiro, território afastado e fora do controle das autoridades do Clero. 

Dedicados a atividades de criação de gado e pastoril, colonizaram a região Cariri, paragens Potiguares, sertão; adentro, Seridó, topônimo que em hebraico significaria "sobrevivente" ou "o que escapou" - זה ששרד.

Duas décadas após a saída dos holandeses a Inquisição foi muito repressora dos cristãos-novos ( conversos, anusim, marranos) que retornaram ao judaísmo durante a ocupação holandesa. 

Na segunda metade do século 17 e durante o século 18, chegaram muitas histórias e relatos da Inquisição de Lisboa, relativos à existência clandestina de rituais judaicos nessas paragens.

A política portuguesa seguida no século 18, permitiu que os cristãos-novos se misturassem com o resto da população, até que desaparecesse suas tradições judaicas devido à sua completa assimilação, apesar disto; algumas famílias parecem terem se esforçado por as manter, isolando-se e praticando casamentos endógenos.

Em 1655 os portugueses fecharam o maior símbolo da judiaria brasileira; a sinagoga de Kahal Zur e a Rua dos Judeus, como noutros locais da cristandade reconquistados, foi rebatizada como Rua da Cruz (hoje Bom Jesus).

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