terça-feira, 12 de novembro de 2019

A morte e luto, embora espinhoso deve ser dito.

A inevitável Morte

Nosso costume é que, se uma pessoa vem a falecer fora de seu leito e longe dos seus (Khas v'khalilah) é diferente de quando uma pessoa morre em sua casa, onde é necessário jogar toda a água de consumo da casa fora e todo alimento preparado que está na sala onde está os restos mortais. 
Quando a pessoa morreu em casa, e perecia de uma doença infecciosa a cama deve ser destruída pelo fogo, quando a doença não era infecciosa,  acama deve ser limpa e os lençóis lavados com sabão e a  casa deve ser lavada com sabão.
Deve-se dar um banho no corpo com água, ligeiramente quente adicionado um punhado de sal e sabão, deve-se cortar as unhas, depois de enxuto, deve ser vestido em uma "galabia" aplicado canfora e cravo em pó no corpo e posto em um maca para velório e visitas.

No entardecer ou amanhecer, dependendo do horário da morte, o corpo deve ser envolto no seu manto(talit), ademais enrolado em um sudário e depois deve ser levado  em para uma sepultura cavada em terra por pessoas especialmente treinadas - coveiros, estas pessoas devem purificar-se lavando-se com água corrente e sabão antes do ocaso do sol; depois da purificação eles podem sentar a mesa da aljama. 

O falecido é acompanhado ao cemitério pelo hazan, que entoa preces juntamente com os familiares e membros da aljama.

Depois de enterrado, com 7 dias passados um membro da família, geralmente o primogênito leva a pedra de identificação.

Luto

Nós ficamos em luto profundo por pai, mãe, irmão, irmã, filho, filha, marido e mulher. Quando nós encontramos uma pessoa em luto profundo, nós costumamos dizer "atham Adonai akhrak"-"a grandeza de Deus é sua recompensa".

Durante o luto profundo, o enlutado veste-se com uma galabia cinza escura ou preta, as enlutadas vestem roupas escuras de cor tekhlet, cinza e preto e costumam usar um hijab preto. 
Os enlutados durante o luto intenso costumam rezar na aljama na última fila. Há o costume de ficar de luto intenso por 7 dias após o  sepultamento. As obrigações para pessoas durante o luto intenso são assistir cada serviço da manhã e da tarde na aljama por 7 dias.

O hazan chega antes do pôr-do-sol para os enlutados durante o luto intenso no dia do funeral.

No 7º dia após o funeral o hazan visita as pessoas no tempo de luto profundo, então eles vão juntos para a Aljama. Os parentes e amigos do falecido costumam ir para a Aljama, e após a oração eles voltam para a casa dos enlutados, onde eles preparam um seudah, isto é uma comida; conténdo carne e leite. 
A própria palavra seudah é derivada do verbo saad, que significa sustentar ou apoiar (Gênesis 18: 5, Salmos 104: 5). Ao convidar convidados, trazer os pobres e os solitários e compartilhar a sabedoria e a comida, transforma-se uma refeição em um seudah e une um grupo de indivíduos que se alimentam em uma aljama (comunidade).
Os enlutados no momento de seu luto comem carne pela 1ª vez após os 7 dias de luto, porque durante os 7 dias após o funeral eles não comem carne como um símbolo de tristeza. 

No 1º Shabat após os 7 dias de luto, no nome do falecido e enlutados, as pessoas costumam dar uma oferta em memória da alma falecida, e após o final das orações, os membros da aljama costumam ir na casa dos enlutados, para conversa de conforto aos enlutados e estes costumam oferecer aos membros da comunidade uma bebida alcoólica escura como sinal de tristeza. 
Após os 30 dias do funeral, uma seudáh  também é organizada. Dez meses depois do sepultamento, ou no aniversário, é organizado um hilula, durante esta hilula é servida cachaça boa e branca em vez da bebida escura. 
No Sábado (que caiu a seudah - 30 dias após o sepultamento) depois do serviço religioso, os membros da aljama qaréo com o hazan costumam ir á casa dos enlutados para relembrar a memória do falecido, eles consolam os enlutados. 

Os enlutados oferecem aos membros da comunidade e para o hazzan cachaça clara e refeição. Após esta refeição o luto termina. Quando um parente morrer em uma outra cidade ou estado, o luto profundo inicia-se no dia quando nós ouvimos pela primeira vez sobre um funeral.

Hilulá
O hilulá é uma celebração que é o aniversário da morte de um sadiq, quando a aljama viaja para os betahayim, onde se depara com o kon buto de kantar e meldar, especialmente teilim . Não é banhado em nenhum Eskrito do Talmud ma é muito importante nas aljamas sefarditas de Marroko , Algelia e Tunísia



O termo se deriva do hebraico "hillel", ‘cantar com júbilo’, também raiz da palavra aleluia.

Não tem base nas Sagradas Escrituras israelitas nem tão pouco no talmude, mas entre os judeus magrebís se considera uma parte fundamental da vida social e religiosa.

A hilula é uma visita local, muito similar a tradicional "romaria" espanhola e o "musem" islâmico no al Magrebi.


Se trata de um costume dos israelitas do al Magrebi que não existe em nenhum ramo do judaísmo, exceto o dia de "sigd" entre os falashás etiopês.

A hilula é endereçada a uma tumba de um importante sadiq (‘homem justo’ em hebraico).



Durante um ou vários dias, judeus de toda a região, vão ao túmulo, donde se reza, recita, canta, se bebe "mahiá", a tradicional aguardente marroquí, ou no nosso caso uma boa cachaça kasher, se faz ofertas em dinheiro aos pobres e se faz votos para recuperar la saúde ou a fertilidade.

Também é tradição comprar velas que se lançam a uma fogueira ou um forno aceso próximo da tumba.
Todo o rito tem caráter festivo e alegre. Ainda que ultimamente podem se ver pessoas pedindo bom parto para as mulheres e bom casamento para as jovens que se mostram-se elegantes e a festa se converte em oportunidade de fazer amizades.
No Marrocos se conhecem uns 600 ‘sadiqim’ mas também em Algélia e Túnez se realizavam hilulas. Entre as mais conhecidas do Marrocos se destaca a do rabino português Haim Pinto em Essaouira.
r. Haim Pinto

Karaitas Marranos Ibéricos no Egito

Judeus no Egito

 "Queremos a nossa história de volta; não a de outros!".
Aljama dos ibn Qaréo al Andaluz.

Para os descendentes da 13ª tribo, que segundo Arthur Koestler, escritor do livro : "Os Khazares. A 13ª Tribo E As Origens Do Judaísmo Moderno - ISBN 8573164182", os aderentes do judaísmo (gerim), alguns de alguma maneira são aficionados pela "conversão", desafortunadamente isso não exclui alguns dos judeus leitores. Mas há que se conversar sobre isto, ou o contrário disto.

Segundo "https://pt.wikipedia.org/wiki/Eslavos", desafortunadamente, a palavra portuguesa eslavo é derivada do latim medieval sclavus, um empréstimo do grego antigo σκλάβος (sklábos) "escravo", que por sua vez era um empréstimo do autônimo eslavo: protoeslavo slověninъ "eslavo". 

Segundo Koestler, os judeus de nossos tempos caem em duas divisões principais: sefarditas e os askenazi. Os sefarditas são descendentes dos israelitas que, desde a antiguidade, tinham vivido em Espanha (em Hebraico Sefarad; árabe Al Andaluz) até que foram expulsos no final do século XV. Eles falavam um dialeto Espanhol-Hebraico, Ladino e preservaram suas próprias tradições e ritos religiosos.

Uma história curiosa:
Marranos Andaluzes e a "adesão" aos Karaitas 
Cristão Novo Kefáh Al Vares Kabra Al - Nota de 10 R$ Brasil

Em um ponto que requer um exame mais detalhado por parte dos historiadores religiosos dos judeus leitores, mas que de forma contumaz e desprezado; é a maravilhosa ligação nesse período entre os israelitas qaréos (karaitas) e os judeus sefarditas, cujo ponto de vista marrano bem poderia levar a considerar o judaísmo rabínico como uma espécie de desvio da religião do qará, e se apaixonaram pelo modo religioso dos judeus leitores( talvez como se dizia em Portugal, esses judeus eram tidos como uma espécie de hereges saduceus e o judaísmo dos caraítas era o mais próximo de seu modo ortodoxo de crer ). 

Ferrara

Os israelitas karaitas do Egito, preservaram um texto que descreve a chegada de alguns europeus exilados(Al andaluzes) ao Kairo em 1465. As práticas desses eram, baseadas no Tanakh, sem apoio na tradição rabínica, parecendo-se mais de acordo com os israelitas karaitas locais. 
Sinagoga Caraítas do Egito

Uma porfia pública surgiu com a alegação dos rabinos sobre a afiliação desses megorashim de al Andaluz, de modo que o assunto acabou nas mãos das autoridades religiosas muçulmanas, cujas decisões estão registradas no texto. 
Como o assunto extrapolou da comunidade dos filhos da nação, culminou com o envolvimento das autoridades governamentais egípcias e levou a prisões e confiscos,porem  no final os israelitas caraítas do Egito tiveram uma vitória sobre os adversários rabínicos.

Os "espanhóis" foram autorizados a aderir ao caraísmo, (segundo "uns" que são adeptos da conversão, eles se converterem ao Karaísmo - mas, como se converte judeus ao judaísmo?) sem impedimentos por parte das autoridades rabínicas.
William M. Brinner, uma disputa Karaite-Rabbanita do século XV no Cairo. O texto foi traduzido por Hartwig Hirschfeld em A Karaite Conversion Story, da British Library MS Or. 2538, fols. 73-83. 
Outras cópias são encontradas no Seminário Teológico Judaico da América, em Nova York, sob o título סיפור ערבי (Uma história em árabe), Mic. 3328; e na Biblioteca de Manuscritos e Livros Raros Blumenthal do Museu Judah L. Magnes em Berkeley, Califórnia, em um manuscrito não catalogado na coleção Karaite. Fred Astren, Judaísmo Karaita e Entendimento Histórico, 223.
Florada da caatinga
Ereb'tob!

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

A Luz de Chanuká, uma festa dos saduceus!

O Haj  ha'urim (Haj ha'Orit'im ou haj ha Neirot)

O historiador dos rabinos, o senhor Titus Flavius ​​Josephus narra em seu livro, Antiguidades Judaicas XII, como o vitorioso Iehudá Macabi ha kohen, ordenou grandes festividades anuais de 8 dias depois de rededicar o Beit hamikdash (Templo) em Jerusalém que havia sido profanado pelo selêucida Antíoco Epifânio IV.

Selêucidas: dinastia helênica(Grega) fundada por Seleuco I (cerca de 355-280 a.e.C.), q8ue dominou a Síria e partes da Ásia ocidental entre 312 e 64 a.e.C.

Josephus chama de o "Festival das Luzes":Iehuda Macabi ha kohen celebrou o 'haj' da restauração dos sacrifícios do Beit Hamikdash por 8 dias e não restringiu nenhum tipo de ato de felicidade; mas ele os valorizava com sacrifícios muito preciosos e belos; e ele honrou a YHVH e se alegrou com hinos e salmos. 
Os israelitas ficaram muito felizes com o renascimento de seus costumes e tradições, quando, após um longo período de tempo nas mãos dos gentios, pelos feitos dos kohanim guiados por YHVH recuperaram a liberdade de seu culto. Disto os kohanim fizeram uma tradição para sua posteridade; daquele momento em diante deveriam realizar um festival nacional, por conta da restauração de sua adoração no Beit Hamikdash, por 8 dias. 

E a partir desse momento, comemoramos este festival e chamamos de Luzes. Suponho que a razão foi porque essa liberdade além de nossas esperanças apareceu para nós; e que daí foi o nome dado àquele festival. 

Iehuda Macabi ha kohen também reconstruiu os muros em volta da cidade, e ergueu torres de grande altura contra as incursões de inimigos, e pôs guardas nela. Ele também fortificou a cidade Beth Zur, para que possa servir como uma cidadela contra qualquer angústia que possa vir de nossos inimigos.
Beth Zur
A Batalha de Bet Zur foi travada entre os macabeus, liderados pelo sacerdote Judas Macabeu, e um exército selêucida grego liderado pelo vice-rei Lísias em 164 a.C. O sacerdote Macabeu venceu a batalha, e conseguiu reconquistar Jerusalém pouco depois. Os filhos de Israel (judeanos) não combateram em terreno aberto, mas utilizaram-se de táticas de guerrilha e de ataques rápidos, seguidos por rápidas retiradas, para empurrar, vagarosamente, o exército selêucida e, eventualmente, derrotá-lo.
Como tudo aconteceu:


Quando o Segundo Templo em Jerusalém foi saqueado e os serviços parados, o judaísmo foi proibido. Em 167 a.e.C, Antíoco ordenou um altar para Zeus erigido no templo. Ele proibiu brit milah (circuncisão) e ordenou que os porcos fossem sacrificados no altar do templo.

As ações de Antíoco provocaram uma revolta em larga escala . Mattathias (Mattityahu), um sacerdote judeu , e seus cinco filhos Jochanan , Simeon , Eleazar , Jonathan e Judah lideraram uma rebelião contra Antíoco. Começou com Mattathias matando primeiro um judeu que queria cumprir a ordem de Antíoco de sacrificar a Zeus e, em seguida, um oficial grego que deveria impor a ordem do governo (1 Mac. 2, 24–25 ) Judá ficou conhecido como Yehuda HaMakabi ("Judá, o Martelo"). 


Sacrifício de porcos no Vietnã
Por volta de 166 AEC, Mattathias havia morrido e Judá tomou seu lugar como líder. Em 165 aC, a revolta judaica contra a monarquia selêucida foi bem sucedida. 

O templo foi liberado e rededicado. O festival de Hanukkah foi instituído para celebrar este evento. Judá ordenou a limpeza do templo, um novo altar a ser construído no lugar do poluído e novos vasos sagrados a serem feitos.


"De acordo com o Talmude, o azeite puro não adulterado e imaculado com o selo do kohen gadol (sumo sacerdote) era necessário para a menorá no templo, que era requerida para queimar durante toda a noite todas as noites."

A  história em 1º Macabeus declara que uma celebração de oito dias de cânticos e sacrifícios foi proclamada após a dedicação do altar e não faz menção específica ao milagre do óleo.
Um conto da carochinha dos rabinos:
O mágico cinzento - RR Tolkien
A piléria dos rabinos fascinados com abracadabra e exoterismos de toda a espécie distorceu a vitória dos kohanim e contaram depois no seu talmude que um frasco foi encontrado com apenas óleo suficiente para queimar por um dia, mas queimou por oito dias, o tempo necessário para preparar um novo suprimento de óleo com selo "kosher" para a menorá. Um festival de oito dias foi declarado pelos sábios rabinos judeus para comemorar esse milagre.
Acendendo as luzes:

Regra de hakham Shamai Ha Zaqen:
Segundo o rabino Iacob Medan, o beit shammai guardava fortes laços com os saduceus - leitores da bíblia.

Regra que foi salva no Talmud: 
Beit Shamai diz: No 1º dia, acende-se 8 luzes e, a partir daí, diminui gradualmente o número de luzes até que, no último dia do Hanukkah, acende uma luz. Talmud: Shabat 21b: 6



Rav Ulla disse: Havia dois amora'im no Ocidente, (Eretz Yisrael), que discordaram em relação a essa disputa, o rabino Yosei proíbe Avin e o rabino Yosei proíbe Zevida. Um deles disse que a razão para a opinião do Beit Shamai; é que o número de luzes corresponde aos dias de do festival; 8 dias que permanecem Hanukkah. No primeiro dia acende 8 luzes, e no segundo dia restam 7 dias, acende-se sete, etc.



"outro diz" que a razão para a opinião do Beit Shamai é que o número de luzes corresponde ao numero de touros sacrificados do festival de Sucote: 13 foram sacrificados no 1º dia e cada dia sucedendo um a menos foi sacrificado (Números 29: 12-31).
O Rabi Trifon

O rabino Tarfon (רבי טרפון) , do grego Tryρύφων, foi um Kohen que viveu no período entre a destruição do Segundo Templo em 70 EC e a queda de Betar em 135 EC.


Ele era um aderente da escola de Shamai e sempre se inclinou à indulgência na interpretação daqueles halakhot de Shammai que na verdade não haviam sido postos em prática; muitas vezes ele decidia em oposição direta aos seguidores de Shamai quando eles impunham restrições de severidade excessiva.

Regra de Trifon

Curiosamente ele é um dos que dão instruções para acendimento de lampadas, na música dos rabinos na luz do sábado, mas como R.Trifon era um kohen, seria certo que ele falaria do acendimento da luz do Templo, não das rezas apócrifas dos fariseus.


במה מדליקין
Pêrec shabat
"Rabi Tarfon diz que só se acende com azeite de oliva. Nenhuma parte de árvore pode ser usada como mecha, salvo linho, e toda parte de árvore já usada na feitura de mechas está suscetível à impureza, pela lei de pureza que exclui o linho."
veja vídeo Bame Madliqim - Reza farisaica shabbat, veja a estrofe Rabi Tarfon..


Comendo sonhos:
Há um minhag; costume que foram trazidos por nossos pais ibéricos, de fazer e comer sonhos de padaria, pois literalmente ficamos como quem sonha, dado a grande libertação de YHVH, através das mãos dos nossos sacerdotes.

Shir Hamaalot - Salmo 126:1-2
SHYR HAMAALOT BËSHUV YHVH ET-SHYVAT TSYON HÅYYNU KËCHOLËMYM:ÅZ YMÅLE SËCHOQ PYNU ULËSHONENU RINÅH ÅZ YOMËRU VAGOYM HIGËDYL YHVH LAASOT IM-ELEH:
QUANDO o YHVH trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham.Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cânticos; então se dizia entre as nações: Grandes cousas fez o SENHOR a estes.

Maoz Zur (quase nosso hino nacional)

Meu refúgio, minha rocha da salvação! É agradável cantar Seus louvores. Que nossa casa de oração seja restaurada. E lá vamos oferecer-lhe os nossos agradecimentos. Quando Tu terás massacrado o inimigo.

Depois celebraremos com cântico e salmo a dedicação do altar. Minha alma foi saciada com miséria, Minha força foi gasta com tristeza. Eles amarguraram minha vida com dificuldades, quando escravizados sob o domínio do Egito . Mas YHVH, com seu poderoso poder, trouxe Seu povo precioso;

Enquanto o anfitrião e os seguidores do faraó afundam como uma pedra nas profundezas. Ele me trouxe para Sua santa morada; Mesmo lá, não encontrei descanso. O opressor veio e me exilou, porque servi a deuses estranhos e bebi vinho venenoso (os anusim). No entanto, mal havia me exilado, quando Babilônia caiu e Zorobabel assumiu o comando; Dentro de 70 anos eu fui salvo.

O agagita , filho de Hammedata, conspirou para cortar o abeto; Mas isso provou ser uma armadilha para ele, e sua insolência foi silenciada. Você levantou a cabeça dos benjamitas, mas apagou o nome do inimigo. Seus numerosos filhos e sua família Tu penduraste na forca.

Os gregos se reuniram contra mim, nos dias dos Hasmoneus . Derrubaram os muros das minhas torres e contaminaram todos os óleos. Mas, desde o último frasco remanescente [um milagre foi realizado para os judeus. ]a menorá foi acesa.

Portanto,[os sábios] os kohanim do dia ordenaram estes oito dias para cânticos de louvor.

Desnuda o teu santo braço e apressa o tempo da salvação. Causar vingança contra a nação perversa, em nome de seus servos fiéis. Pois a libertação foi adiada por muito tempo; E os dias maus são infinitos.

O empurrou o inimigo nas sombras da morte, e criou para nós os sete pastores.

Boa semana

 


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Qaréo - Tiago filho de Rubin

"Interior de uma aljama musilim" 
JACOB BEN REUBEN(יעקב בן ראובן) foi um qaréo(qaraita), estudante e comentarista do Mikrá ha Qodesh, há "hipotese" levantada por alguns que seja nascido em Bizâncio,no século 11; nós dizemos que ele era um andaluz(espanhol).


Segundo se conta, ele viajou para vários países, como missionário do karaismo e, ao mesmo tempo, tentou coletar comentários, principalmente em árabe, escritos por seus antecessores karaitas de língua árabe(atenção colegas de língua árabe).
Será a maior riqueza o dinheiro? Penso que não!

Ele escreveu um breve comentário em hebraico em toda o tanakh, intitulado Sefer ha-Osher [O livro da Riqueza], porque, como ele diz na introdução, o leitor encontrará nele informações suficientes e não precisará recorrer a muitos comentários volumosos, que o próprio autor consultou.

O livro é, de fato, apenas uma compilação de trechos de autores karaitas anteriores, daí os frequentes glossários em grego e árabe; alguns desses escritos são desconhecidos.


Gravura - economia e sociedade no al Andaluz

A explicação do autor de qualquer passagem é frequentemente introduzido pelas abreviaturas ou (ie, Árabe"ma'nahu" ou "ya'ni" = "isto é"); e explicações divergentes de outros comentaristas são adicionadas uma após a outra e precedidas pela frase vaga ("outro diz"). 

Tiago aproveita-se principalmente de um extrato da obra do estudioso Karaita do século X, Jafé ibn Ali (يافث بن علي), simplesmente reproduzindo passagens de seu comentário em árabe principalmente no Pentateuco.


Mas Tiago também se baseou em outros autores karaitas, o último dos quais é Ieshua ibn Iehudah , que, até onde se sabe, viveu por volta de 1054 (ver Harkavy, Hadashim gam Yeshanim, vii. 17). Esta data aponta para a segunda metade do século XI como a data de composição do Sefer ha Osher.

Somente seus comentários sobre os Profetas,mais Tarde (exceto Isaías) e Hagiographa (exceto Salmos) intitulados Mivḥar Yesharim "apareceram" impressos (Eupatoria, 1836) junto com Sefer ha-Mivḥar por Aaron ibn Iosef ha Zaqen(o Velho).

Entre os autores rabbiníticos, Tiago cita Abu al-Walid ibn Yanah ; mas suas citações aparentemente foram intencionalmente suprimidas pelo slavo/khazar Firkovich em sua edição.

Abraham Firkovich tentando dar um verniz de credibilidade para sua causa, disse que Jacob tinha vivido em Kerch[?], no sul da Rússia, disse ter sido chamado em hebraico; e ele afirma que a citação muitas vezes no comentário do Pentateuco é idêntico a Abraham ben Simhah, de Kerch (c. 986), personagem inventado por ele. Ambas as suposições são pífias na melhor das hipóteses, e a maioria dos estudiosos as rejeita. 








sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Quem ficou com o butim dos israelitas qaréos da Ibéria?


Significado de butim
substantivo masculino

1.conjunto de bens materiais e de escravos, ou prisioneiros, que se toma ao inimigo no curso de um ataque, de uma batalha, de uma guerra.

2.produto de roubo ou de pilhagem.

A revista judaica Morashá em sua edição eletrônica do dia 2 Heshvan 5780 (31 OUTUBRO 2019), traz uma edição sobre a presença judaica na Grécia, e no corpo do texto em certa altura diz:

"Inicialmente, a zona italiana constituía um porto seguro para os judeus que foram cautelosos de deixar, a tempo, as zonas de ocupação alemã e búlgara. Os búlgaros reuniram os judeus da Trácia em 3 de março de 1943. Anteriormente, tinham saqueado, de modo organizado, os valores e propriedades comunais e individuais judaicos. Todo o butim acabou nos cofres do Banco Nacional da Bulgária. Deportaram 4.700 judeus das seguintes cidades em sua zona de ocupação: Cavala (1.800), Serres (596), Drama (780), Alexandrópolis (150), Comitini (819) e Xanti (561)18."
Este dado é um precedente que nem de longe é tratado quando se trata dos israelitas qaréos arrastados aos tribunais políticos-religiosos que ocorreram na idade média nas terras de al Andaluz, pois há indicações; segundo Abraão aben Daud: 
"[...] A pregação de aben Al Taras (qaréo espanhol), levou os líderes dos fariseus de Sefarad a uma ação virulenta do médico del Rei, dr. Joseph Ferrizuel "Cidellus" (Alkabri), um judeu rabínico favorito do el Rei Afonso VI; deste, obteve autoridade para tratar sem piedade(Abraham ibn Daud relates that he treated the Karaites ruthlessly and expelled them from all the citadels in Castile. - encyclopedia.com) e também expulsar os israelitas não rabínicos(qaraitas) de todas as cidades de al Andaluz."
 
Curiosamente se diz que Dr. Cidellus "Acumulou uma grande quantidade de propriedades na cidade de Toledo e em seus arrebaldes, que após sua morte foram confiscadas pela corona espanhola." 

Joseph ibn Ferruziel ou Ferrizuel (nascido em 1145), nascido em uma família originária de al-Andalus, era médico do rei Alfonso VI (morto em 1109) de Castela, conquistador de Toledo e um dos seus mais notáveis cortesões judeus na corte espanhola. Ferruziel desfrutou da confiança do monarca cristão e recebeu várias propriedades dele após a conquista de Toledo em 1085. Como nasi das comunidades judaicas no reino castelhano, ele exerceu considerável responsabilidade e poder político. Seu sobrenome, Cidellus, Cidiello ou Sayyd; quer dizer chefe.[Enciclopédia de Judeus no Mundo Islâmico]
Uma pergunta que me incomoda a alma: "Seriam estas propriedades adquiridas pelo dr. Cidellus, o botim(prêmio) por ter expulsado os qaréos de Castela? e este botim seriam as propriedades onde residiam os qaréos de Castela?"
Hakham Salomão haMelekh disse:
"Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós." Eclesiastes 1:10 
A história continua a pegar peças, pois em seguida a expulsão, lá no al Magrebi, diz o rambam Abu Imran Musa ibn Maimun Abidulah, al kurtubi al israili: "...os heréticos caraítas[exilados de al Andaluz] são executados no Bilad al Magrebi".

E os poucos pertences que estes pobres exilados levaram... seus livros escritos?


Um israelita islâmico, que seus antepassados foram islamizados, se chama Ismaël Haïdara; ele é o guardião da biblioteca de sua família os "kuti iehudi", iniciada por ancestrais que fugiram da perseguição religiosa na Espanha no século XV. Haidara diz: "Esta é a história de nossa família", ele disse, folheando com cuidado as páginas. "Foi escrita em 1519."


Acervo Tumbuctu no Mali


A empoeirada coleção de páginas frágeis e quebradiças, escritas na florida caligrafia árabe medieval, também representa o futuro incerto, ou que se repetira em forma de "loop" para esse entreposto que passou muito tempo esquecido.

Parte do acervo dos al Andaluzes foi-se para Tumbuktu, cidade fundada como entreposto comercial pelos nômades da região ainda no século XI, tempo que curiosamente havia muitos qaréos em al Andaluz e era vivo nosso hakham Al Taras.

Outra parte de nosso butim intelectual, parece-me que foi levado pelos de Kertch, e depois encadernado como se fosse de lá ...

Continuará...


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O legado do galho "seco" ainda vive!


Estes dias publiquei este desenho na página do "facebook", no intuito de alertar nossos amigos sobre um "certo galho seco" da grande árvore da "vida" dos qaréos, a qual ainda deveria haver a "zachor" do pequeno e frágil galho "seco" dos banu qaréos al Andaluz, nas terras brasileiras e no mundo latino.


Penso que já é conhecimento de todos que houveram um dia qaraítas na Ibéria, que engloba os estados de Portugal e Espanha; ao menos é o que dizem muitos escritores, enciclopédias; cemitérios, livros, casas...a tradição culinária e mais.

No anos de 1492, os reis de Espanha, decretaram a expulsão de todos o judeus de suas terras, logo depois foi a vez de Portugal.

Estes israelitas se espalharam para os quatro ventos, indo para o norte( Holanda), para o leste (Turquia e outros), para o sul ( país dos bérberes - al Magrebi e Bilad al Sudan) e para o oeste; para dentro do mar!!!
Sim, para o mar! Mas , não foi para morar como o mítico deus Netuno, muito pelo contrário, foram levados a força; assim como o profeta Yonah, na barriga de grandes peixes, as naus portuguesas, espanholas e holandesas, ou nos seus conveses, como trabalhadores braçais dos senhores da terra média...levados na marra ( marranos)pela "passagem do meio", para colonizarem um novo mundo para os senhores da terra luzitana.

Deixaram um legado, ao menos no Brasil de mais 49 milhões de  almas no NE do Brasil, que assim como os antigos saduceus, não fazem diferença em comer carne com lácteos, sangram as rezes, não matam animais prenhas, guardam o período de resguardo das parturientes de acordo com regra dos saduceus, gostam de bacias e vasilhas muito limpas a ariadas.
Carne de sol com arroz de leite, queijo e macaxeira!
Prato tradicional do NE setentrional do Brasil

Contudo são um galho seco, ou quase seco, pois não recebem a 20 gerações a seiva da árvore da vida.

Esperamos pela providência de YH, que venha nos ajudar. Enquanto esperamos, “defendemos o ajuntamento dos Israelitas Qaraítas, filhos do Al Gharb, Al-Anadalus , Al Magrebi e Bilad al Sudan no Brasil que historicamente durante o período de 1492 a 1842, estes foram degredados, enxotados desterrados , forçados e detestados como se a marca de Caim estivesse sobre eles”.


Boa semana a todos.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Aljama - التجمع

Pote de Barro em casa do sertão nordestino

التجمع altajamue

A palavra "Al jama" deriva do árabe "jama" (reunir) mais o artigo definido "al", que significava originalmente "congregação", "assembléia", "grupo", mas que, mesmo antes do estabelecimento do domínio espanhol, foi aplicada pelos árabes a seus próprios corpos religiosos e às grandes mesquitas, e especialmente às comunidades judaicas no meio deles, e às sinagogas e escolas que formaram o centro de toda a vida judaica.


O termo foi adotado pelos cristãos, e seu significado se estendeu para designar também os lugares que judeus e árabes haviam conquistado. 

Com muita frequência, para fins de distinção, eram usadas frases como "Aljama dos Judios" (Aljama dos Judeus) e "Aljama dos Moros" (Aljama dos Mouros). 


Mas a circunstância que os árabes da Espanha designaram pelo termo mais especialmente a comunidade judaica deixou seu rastro no uso da palavra na língua espanhola; pois na literatura espanhola "Aljama", sem nenhuma especificação adicional, significa "Sanhedrin" ou "Juderia" (judaísmo), ou mesmo o local de culto judaico, tanto no sentido concreto quanto no abstrato. 


De "Aljama" são derivados os seguintes: 

(1) "Aljamado", adjetivo e substantivo, o habitante de um aljama; 

(2) "Aljamia", o vernáculo espanhol usado pelos judeus ou mouros, mas mais especialmente a língua espanhola escrita com caracteres hebraicos pelos judeus e com letras árabes pelos mouros; 

(3) "Aljamiado" (adjetivo e substantivo), aquele que fala ou conhece o Aljamia. 


Esse uso ocorre em uma data muito precoce. No "Poema de Alexandre", nos "Milagros de Nuestra Señora" e no "Duelo da Virgen" de Gonzalo de Berceo, todo o século XIII, "Aljama" ou "Alfama" é empregado para designar o povo da antiga Jerusalém; e a historiadora do século XVI, Mariana, usa "Aljama" para a sinagoga: "
As comunidades judaicas da Espanha, devido ao seu isolamento social e aos regulamentos religiosos e políticos impostos a eles, sempre formaram grupos separados do resto da população com a autoridade exercida por seus próprios hakhmim.